sábado, 26 de novembro de 2011

Acidentes aéreos são mais freqüentes próximo aos aeroportos

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Críticas ao Movimento Pró Novo Aeroporto Regional de Ribeirão Preto

O bom da crítica é que ela nos obriga a refletir. Os leitores do Informativo do Movimento Novo Aeroporto de Ribeirão Preto e Região costumam interagir de forma significativa. Uma dessas intervenções foi muito importante porque levantou um problema: porque é que o Informativo relatou o acidente recente ocorrido na Escócia? Na opinião desse leitor, acidentes acontecem e na maioria das vezes nos aeroportos e querer relacionar isso com o Leite Lopes apenas nos conduz ao descrédito.

É evidente que a maioria dos acidentes aeronáuticos ocorrem nos aeroportos, porque se o avião não explodir no ar, o desastre, necessariamente ocorrerá no aeroporto ou perto dele, ou seja, no chão (ou no mar). Aí nos lembramos da tragédia do avião da TAM em Congonhas, em 2007. Más condições de tempo, falha nos motores, erro dos pilotos, pista curta, sem grooving*, sem área de escape, mais isto e menos aquilo. E pronto, foi um acidente, ou seja, um acontecimento casual, imprevisto ou fortuito (segundo o Dicionário Aurélio).

De tudo o que aconteceu, se a pista tivesse comprimento adequado e área de escape em condições de segurar a aeronave em risco, teria acontecido um acidente sim, mas apenas isso, com pessoas  que iriam ter alguma coisa para contar para os seus netos. Estaríamos na presença de uma aviação segura (que nós temos) operando em estruturas aeroportuárias seguras (o que nós não temos).

Logo, em Congonhas não aconteceu um acidente porque, em operação nas condições limites, não reuniu uma situação mínima de segurança. Não ocorreram as circunstâncias de ser casual, imprevisível ou fortuita, porque era previsível que acontecesse.  Foi uma catástrofe ocorrida por negligência dolosa, porque era sabido dos riscos inerentes a uma operação insegura numa pista curta e sem área de escape.

Aqueles que não foram atingidos pela tragédia lamentam o incidente e resolvem tudo pela palavra mágica "acidente".  Se houvesse a possibilidade de perguntar aos ditos "acidentados" o que eles acharam disto, talvez não pudéssemos transcrever a conversa por estarem usando um vocabulário impróprio para publicação.

Por isso, por dois motivos principais, citamos os acidentes ocorridos em aeroportos:
- primeiro, para deixar claro que acidentes acontecem com aviões também. Tem muito passageiro que não tem a menor noção de risco porque lhes dizem que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Não lhes dizem que nem todo o aeroporto é seguro.
- segundo, quando o aeroporto é adequado e possui total controle dos riscos, com pista adequada e com área de escape eficiente, os acidentes ocorrem dentro da área do aeroporto e com poucos danos aos passageiros e tripulantes.

O Leite Lopes não é seguro. Já ocorreram acidentes com pessoas mortas atingidas por aviões de médio porte que atravessaram a avenida Thomaz Alberto Whately. Agora querem fazer um "puxadinho" de 300 metros para operarem aviões de maior porte numa pista que continuará curta, sem área de escape e sem condições de operação segura nas condições limites, permanecendo ao lado da avenida.

A Engenharia é coisa séria. Não podemos nos permitir à irresponsabilidade de aprovarmos como eficiente e seguro um aeroporto que sabemos não o ser.  É nossa responsabilidade profissional garantirmos a incolumidade pública. Os interesses econômicos e os políticos só podem ser atendidos quando essa condição incolumidade pública estiver presente e garantida.


*Grooving - ranhuras feitas na pista com o objetivo de aumentar o atrito das rodas do trem de pouso e reduzir as possibilidades de aquaplanagem.

Foto: Internet
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